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sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Acervo Arquitetônico e Cultural


Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul.



Das mais de duas mil bibliotecas existentes no Estado as principais localizam-se na capital: Biblioteca Pública Estadual, Biblioteca do Exército, Biblioteca da Assembléia Legislativa do Estado, Biblioteca da Bolsa de Valores, Biblioteca da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Biblioteca do Colégio Anchieta. Sendo ainda que a biblioteca mais antiga do Estado, está localizada em Rio Grande, a Biblioteca Riograndense.


Entidades culturais


Entre os principais estabelecimentos de ensino gaúchos destacam-se a Universidade Federal do Rio Grande do Sul e a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, ambas na capital; a Universidade de Passo Fundo (particular); a Universidade Federal de Pelotas; a Universidade Federal de Santa Maria; a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (particular), em São Leopoldo; a Universidade de Caxias do Sul (particular).Entre as associações culturais, destacam-se o Instituto Histórico do Rio Grande do Sul, que edita uma Revista desde 1860, a Academia Rio-Grandense de Letras e a Associação de Imprensa, em Porto Alegre. Funciona na capital, subordinado à Secretaria de Educação e Cultura do estado, o Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul.

Museus




O MARGS visto da Praça da Alfândega, em Porto Alegre.



O Rio Grande do Sul é, atualmente, o estado com maior número de museus do Brasil, somando 66 espalhados em seu território. Os museus mais importantes do estado são o Júlio de Castilhos, o Museu de Armas General Osório, o Museu de Arte do Rio Grande do Sul, o Museu de Arte Sacra e o Museu Rio-Grandense de Ciências Naturais, na capital; o Museu do Centro de Tradições Gaúchas Rincão da Lealdade, de produtos, trajes e objetos regionais, em Caxias do Sul; o Museu Antropológico de Ijuí; o Museu Histórico de Pelotas; o Museu Oceanográfico de Rio Grande; o Museu Histórico Vítor Bersani, em Santa Maria; o Museu Barão do Santo Ângelo, em Rio Pardo; o Museu Farroupilha, em Triunfo, instalado no antigo Palácio do Governo Farroupilha; e o Museu Colonial Visconde de São Leopoldo, em São Leopoldo.









As ruínas jesuítas de São Miguel das Missões. Patrimônio da Humanidade desde 1983 no estado do Rio Grande do Sul.O estado possui rico acervo arquitetônico e dispõe de inúmeros monumentos tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), entre os quais se destacam a igreja de São Sebastião, em Bagé, construída em 1863 e onde repousam os restos mortais de Gaspar da Silveira Martins; o forte inacabado de Dom Pedro II, em Caçapava do Sul; o palácio do governo farroupilha (hoje Museu Farroupilha), o quartel-general farroupilha e a casa de Giuseppe Garibaldi, em Piratini; a igreja de São Pedro, em Rio Grande; as ruínas do Povo e da igreja de São Miguel, em Santo Ângelo; a igreja de Nossa Senhora da Conceição, em Viamão.

sábado, 22 de agosto de 2009

Infra-estrutura

Educação

O Rio Grande do Sul conta com 1.627.867 alunos matriculados no ensino fundamental, 440.610 no ensino médio e 338.913 no ensino superior. O estado conta com dez universidades públicas e vinte 21 universidades particulares, no total de 31:

Centro Federal de Educação Tecnológica de Bento Gonçalves (CEFET/BG)
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA)
Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS)
Universidade Federal do Rio Grande (FURG)
Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA)
Fundação Universidade Federal de Pelotas (UFPel)
Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA) Centro Universitário Feevale (FEEVALE)
Centro Universitário Franciscano (UNIFRA)
Centro Universitário La Salle (UNILASALLE)
Centro Universitário Ritter dos Reis (UNIRITTER)
Faculdades Porto-Alegrenses (FAPA)
Faculdades de Taquara (FACCAT)
Instituição Educacional São Judas Tadeu (SJT/POA)
Instituto Federal Sul-Rio-Grandense (IFSUL)
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS)
Universidade Católica de Pelotas (UCPel)
Universidade da Região da Campanha (URCAMP)
Universidade de Caxias do Sul (UCS)
Universidade de Cruz Alta (UNICRUZ)
Universidade de Passo Fundo (UPF)
Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC)
Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS)
Universidade do Vale do Taquari de Educação e Desenvolvimento Social (UNIVATES) Universidade Luterana do Brasil (ULBRA)
Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (UNIJUÍ)
Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI)
Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM RS)
Castelli Escola Superior de Hotelaria (Castelli ESH)
Faculdade Cenecista de Osório (Facos)

Economia do Rio Grande do Sul

Agropecuária:

Na Campanha Gaúcha pratica-se a criação de ovinos.

Com uma expansão vertiginosa de sua cultura na década de 1970, a soja se tornou o principal produto agrícola do Rio Grande do Sul. A área de produção se encontra difundida por todo o quadrante noroeste do estado e compreende algumas porções da depressão central e sobretudo do planalto basáltico. O trigo, cultivado em condições ecológicas muito diferentes, é plantado quer em zonas de campo, quer em áreas florestais. Nas primeiras, assume o caráter de monocultura extensiva e mecanizada. Nas zonas de floresta surge como pequena lavoura integrada no sistema de rotação de cultura praticado por pequenos lavradores. A principal região produtora é o planalto basáltico, sobretudo sua porção ocidental.

O arroz é a cultura típica das áreas de menor altitude do estado. É quase sempre uma cultura irrigada e na planície litorânea, em decorrência da pobreza dos solos arenosos, recebe considerável aplicação de adubos químicos. O milho é cultura bastante difundida nas áreas de solos florestais e está comumente associado à criação de suínos, para o qual contribui como ração. A mandioca tem distribuição geográfica semelhante à do milho. Além de utilizada na alimentação da população rural, é empregada como forragem por criadores de suínos e bovinos.

O cultivo do fumo concentra-se na região da encosta inferior da serra Geral, nas zonas dos rios Taquari e Pardo. Outra cultura importante do estado é a da uva, que se concentra na região da alta encosta da serra Geral, nas zonas dos rios Taquari e Caí.

O Rio Grande do Sul destaca-se por sua produção agropecuária. O gado bovino criado na região do planalto destina-se sobretudo à produção de leite, enquanto que o criado no sul do estado, nos grandes estabelecimentos localizados na região da Campanha, ou estâncias, destina-se ao corte. A criação de ovinos concentra-se sobretudo na porção mais meridional da Campanha enquanto a de suínos, que absorve parte significativa da produção de milho e a mandioca é típica das regiões florestais.

Merecem destaque as pastagens naturais da campanha gaúcha, em sua maioria utilizadas em pastoreio continuado e geralmente em potreiros de grande extensão, de modo a permitir a expansão das atividades pecuárias, de grande repercussão na economia regional.


Extrativismo



A erva-mate é um dos principais produtos extrativistas do Rio Grande do Sul.

As reservas de pinheiros do norte do estado, embora já limitadas em face da exploração intensa, constituem uma das principais riquezas vegetais.

Os ervais, em apreciável extensão, também proporcionam extração vegetal para atender ao grande consumo regional. Vegetais taníferos, como, por exemplo, a acácia-negra, embora com produção reduzida, incluem-se entre os principais recursos da região.

Entre os produtos minerais do estado destacam-se o cobre e o carvão. O Rio Grande do Sul foi pioneiro no refino de petróleo, com a instalação, em 1932, da Destilaria Sul-Riograndense, em Uruguaiana. Duas refinarias de petróleo e um polo petroquímico, que utiliza matéria-prima da refinaria Alberto Pasqualini, da Petrobrás (Canoas), dão ao estado posição de destaque na petroquímica nacional. Entre as ocorrências minerais conhecidas encontram-se jazidas de carvão mineral, minérios de cobre, chumbo, tungstênio e cristal de rocha.



Indústria

Porto Alegre, capital e um dos maiores pólos industriais do estado do Rio Grande do Sul.

O Rio Grande do Sul é um dos estados com maior grau de industrialização no país. O principal gênero de indústria é o de produtos alimentícios, responsável por substancial parcela do valor da produção fabril. Seguem-se a metalurgia e as indústrias mecânica, química, farmacêutica, de vestuário e calçado e de madeira e mobiliário. A área industrial da região de Porto Alegre é a mais desenvolvida do estado. Os principais produtos são carnes frigorificadas, charques, massas alimentícias e óleo de soja. A indústria de calçados e artefatos de couro destaca-se particularmente em São Leopoldo e Novo Hamburgo. A indústria mecânica e metalúrgica alcança também considerável expressão, sobretudo em Porto Alegre, Novo Hamburgo e São Leopoldo. A esses centros junta-se São Jerônimo, que abriga a usina siderúrgica de Charqueadas.

Outra área industrial é a chamada região de colonização antiga, na qual se integram os municípios de Caxias do Sul, Garibaldi, Bento Gonçalves, Flores da Cunha, Farroupilha e Santa Cruz. A atividade fabril é marcada pela produção de vinho e beneficiamento de produtos agropastoris, tais como couro, banha, milho, trigo e fumo. No restante do estado encontram-se diversos centros industriais dispersos, todos ligados ao processamento de matérias-primas agropastoris. Destacam-se nesse grupo Erexim, Passo Fundo, Santa Maria, Santana do Livramento, Rosário do Sul, Pelotas, Rio Grande e Bagé.



Turismo
Lago Negro na cidade de Gramado

O Rio Grande do Sul é um estado com vastas opções de turismo. O estado recebe anualmente cerca de 2,0 milhões de turistas de fora do país. As praias do litoral norte nas cidade de Capão da Canoa, Tramandaí e Torres são as mais conhecidas no estado, esta última apresentando falésias. São três pedras que ficam na beira do mar, sendo que uma delas avança mar a dentro em uma altura de 30 metros.

As serras atraem milhares de turistas todos os anos, no inverno e verão. As cidades de Gramado e Canela são conhecidas na época de Natal pela decoração das cidades, juntamente com os parques natalinos. No inverno, os turistas visitam essas cidades juntamente com São José dos Ausentes e Cambará do Sul, devido às temperaturas baixas, muitas vezes negativas e com a possibilidade de queda de neve, para a felicidade dos turistas.

Nas mesmas se encontram os cânions de Itaimbezinho e da Fortaleza, os quais são dos maiores do Brasil. Em Gramado acontece o Festival de Cinema. Na conhecida como "Pequena Itália", em que se localizam as cidades de Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Garibaldi, pode-se encontrar as melhores vinícolas do Brasil. Ainda a oeste, se encontram as Missões Jesuíticas, nas cidade de São Miguel das Missões e arredores.

Embora com menor destaque turístico, a região de Pelotas, reconhecida por ser o município brasileiro do doce e por possuir grandes monumentos e prédios tradicionais e seculares, vem alcançando destaque com a festa anual denominada Fenadoce.




As Serras Gaúchas são as maiores produtoras de vinhos do Brasil.

Na serras do estado (Bento Gonçalves e Garibaldi), se localizam a maior concentração de produtores de vinho do país. Mais ao sul, na região da Campanha, está situada a segunda mais importante área produtora. As vinícolas gaúchas são premiadas internacionalmente, em razão da alta qualidade de seus vinhos e espumantes.

O estado é privilegiado pela sua condição geo-climática, estando situado no início da faixa entre os paralelos 30° e 50°, considerada ideal para a produção de uva vinífera. Isso lhe permite a produção de cepas nobres de uvas européias, como Merlot, Chardonnay e Cabernet Sauvignon, entre outras. A uva e o vinho gaúchos são produzidos sob as melhores técnicas disponíveis e condições tecnológicas avançadas, a exemplo das melhores regiões vinícolas da Europa.

Problemas ambientais

O Rio Grande do Sul enfrenta diversos problemas ambientais em seu território, resultantes da má apropriação de recursos naturais.

Muitos desses problemas são facilmente identificáveis por abrangerem grandes extensões territoriais e por afetarem diretamente a qualidade de vida da população. Na região da Campanha, próxima à cidade de Alegrete, existe um grande pedaço de terra em "processo de desertificação", em conseqüência da criação extensiva de gado bovino.

Atualmente, a grande preocupação é a substituição dos campos (pampa) pelo plantio de eucaliptos e pinus, que deterioram a fertilidade do solo, modificando o ecossistema típico desta região.

A monocultura de eucaliptos e pinus em grande área, antes pasto para o gado ou mata atlântica, vem sendo praticada pela instalação de empresas multinacionais, sem controle de políticas ambientais que protejam o meio ambiente.

domingo, 16 de agosto de 2009

Aglomerações urbanas


Aglomeração Urbana: Praias


Município de Tapes.

Vista do Morro Osório


Arroio do Sal
Arroio Teixeira
Atlântida
Barra do Chuí
Capão da Canoa
Cassino
Cidreira
Hermenegildo
Imbé
Mariluz
Pinhal
Praia da Cal
Praia Grande
Santa Terezinha
Tapes
Torres
Tramandaí
Xangri-lá

Aglomeração Urbana:Região Metropolitana de Porto Alegre

A Região Metropolitana de Porto Alegre é a maior do Sul do Brasil e a quarta maior do Brasil. A Região Metropolitana de Porto Alegre, também conhecida como a Grande Porto Alegre, reúne 31 municípios do estado do Rio Grande do Sul.

Sua população é de 4.101.042 habitantes, com uma densidade demográfica de aproximadamente 414,78 hab/km². Conta com os municípios de:








Algumas belezas da Região Metropolitana:

Novo Hamburgo

Canoas


Parque da Redenção - Porto Alegre


Biblioteca pública de Porto Alegre

Aglomerações urbanas

Aglomeração nordeste:


Caxias do Sul

Santuário da Nossa Senhora de Caravaggio, em Farroupilha.



A aglomeração nordeste abrange o núcleo Caxias do Sul-Bento Gonçalves, com uma população de aproximadamente 680 mil habitantes.

Aglomeração Urbana: litoral norte

Abrange as cidades turísticas de Torres, Tramandaí e Capão da Canoa, com uma população em torno de 124.000 habitantes.

As principais ilhas do RS

O Rio Grande do Sul abriga uma única ilha oceânica, a Ilha dos Lobos, localizada no município de Torres. É a única ilha brasileira a abrigar leões-marinhos em certas épocas do ano, e uma das duas mais importantes áreas de concentração deste animal no litoral brasileiro.

Ilha dos Afogados

Ilha Barba Negra

Ilha da Barra

Ilha da Feitoria

Ilha do Furado

Ilha Grande 1

Ilha Grande 2

Ilha Junco

Ilha dos Lobos

Ilha Grande dos Marinheiros

Ilha dos Marinheiros

Ilha do Leonídeo

Ilha da Torotama

Ilha da Pintada

Ilha do Meio

Ilha Pedras Brancas ou Ilha da Pólvora

Ilha da Ponta

Ilha da Sarangonha

Ilha do Taquari.

Mesorregiões, microrregiões e municípios

O estado Rio Grande do Sul é dividido em sete mesorregiões, trinta e cinco microrregiões e quatrocentos e noventa e seis municípios, segundo o IBGE.


1. Mesorregião do Centro Ocidental Rio-Grandense

2. Mesorregião do Centro Oriental Rio-Grandense

3. Mesorregião Metropolitana de Porto Alegre

4. Mesorregião do Nordeste Rio-Grandense

5. Mesorregião do Noroeste Rio-Grandense

6. Mesorregião do Sudeste Rio-Grandense

7. Mesorregião do Sudoeste Rio-Grandense.




Lista de microrregiões do Rio Grande do Sul

O estado do Rio Grande do Sul é dividido geograficamente em trinta e cinco microrregiões:




1. Cachoeira do Sul
2. Camaquã
3. Campanha Central
4. Campanha Meridional
5. Campanha Ocidental
6. Carazinho
7. Caxias do Sul
8. Cerro Largo
9. Cruz Alta
10. Erechim
11. Frederico Westphalen
12. Gramado-Canela
13. Guaporé
14. Ijuí
15. Jaguarão
16. Lajeado-Estrela
17. Litoral Lagunar
18. Montenegro
19. Não-Me-Toque
20. Osório
21. Passo Fundo
22. Pelotas
23. Porto Alegre
24. Restinga Seca
25. Sananduva
26. Santa Cruz do Sul
27. Santa Maria
28. Santa Rosa
29. Santiago
30. Santo Ângelo
31. São Jerônimo
32. Serras de Sudeste
33. Soledade
34. Três PassosVacaria



Vegetação do RS

Folhas de erva-mate.

Araucárias, típica dos gelados Planaltos-Rio Grandenses.



O Rio Grande do Sul apresenta quatro tipos de vegetação espalhadas pelo seu território:


Mata de Araucárias (ou Pinhais)

A floresta subtropical é uma floresta mista, composta por formações de latifoliadas e de coníferas. Estas últimas são representadas pelo pinheiro-do-paraná.

A floresta mista ou Mata de Araucárias recobria as porções mais elevadas do estado, isto é, a maior parte do planalto nordeste e partes do centro. Essa formação ocupa grande parte do planalto gaúcho e ainda parte dos estados de São Paulo, Santa Catarina e Paraná. Atualmente, é a única das florestas que sofre maior exploração econômica em todo o Brasil, por ser a única que apresenta grande número de indivíduos da mesma espécie (pinheiros) em agrupamentos suficientemente densos (embora não puros) para permitir ainda mais o extrativismo vegetal.


Campanha (ou Pampas)

Predomina no sul e oeste gaúcho. Existência das pradarias propícias à criação de gado. Em uma área na altura do município de Alegrete existem areais, comumente confundidos com desertos. A área "desertificada" não tem características diretamente ligadas a um deserto, como as geadas por exemplo, que cobrem de branco essa mancha na Campanha Gaúcha todos invernos. A ocorrência dos areais é natural, porém tem se agravado devido à ação antrópica.


Vegetação litorânea.

Vegetação úmida ao longo do litoral gaúcho, com grandes extensões de areia.


Mata Atlântica.

Abrange as demais regiões gaúchas e é uma formação vegetal brasileira. Acompanhava o litoral do país, do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte (regiões meridional e nordeste). Nas regiões Sul e Sudeste chegava até Argentina e Paraguai.

Hidrografia do RS


A hidrografia do Rio Grande do Sul pode ser classificada em três regiões:
Região hidrográfica da Bacia do Rio Uruguai, cujas águas drenam para o rio Uruguai;
Região hidrográfica da Bacia do Guaíba, cujas águas drenam para o lago Guaíba;
Região hidrográfica das Bacia do Litoral, cujas águas drenam ou para a lagoa dos Patos e Mirim, ou direto para o oceano Atlântico.

O uso do solo na primeira região está diretamente vinculado às atividades agropecuárias

e também agroindustriais.


Os principais rios do estado são:

Uruguai
Ijuí
Jacuí
Guaíba
Caí
Taquari
Ibicuí
Pelotas
Camaquã
Sinos
Vacacaí

Clima do RS

O clima do Rio Grande do Sul é subtropical úmido (ou temperado), constituído por quatro estações razoavelmente bem definidas, com invernos moderadamente frios e verões quentes (amenos nas partes mais elevadas), separados por estações intermediárias com aproximadamente três meses de duração, e chuvas bem distribuídas ao longo do ano.
Devido às diferenças altimétricas, o clima do estado divide-se ainda em subtropical úmido com verões amenos , ocorre na Serra do Sudeste e na Serra do Nordeste, onde as temperaturas médias dos meses de verão ficam abaixo dos 22°C, e nas demais regiões, onde a temperatura média do mais quente ultrapassa os 22°C.
Devido à sua situação latitudinal , o Rio Grande do Sul apresenta características peculiares diferentes do clima do resto do Brasil. As temperaturas do estado, em diversas regiões, estão entre as mais baixas do inverno brasileiro, chegando a -6°C em cidades como Bom Jesus, São José dos Ausentes e Vacaria, com geadas freqüentes e ocasional precipitação de neve.
A temperatura mínima registrada no estado foi de -9,8°C no município de Bom Jesus, em 1º de agosto de 1955, enquanto a temperatura máxima registrada foi de 42,6°C em Jaguarão, no sul do estado, em 1943. Municípios como Uruguaiana, Lajeado e Campo Bom destacam-se em recordes de temperaturas altas no verão, registrando valores que, por vezes, chegam aos 40°C. O estado está ainda sujeito, no outono e no inverno, ao fenômeno do veranico, que consiste de uma sucessão de dias com temperaturas anormalmente elevadas para a estação.
No estado, a neve ocorre com maior freqüência nas regiões serranas do nordeste, entre as altitudes de 900 a 1.400 m, denominadas de Campos de Cima da Serra, onde estão as cidades mais frias do país, como São José dos Ausentes, Bom Jesus e Cambará do Sul (acima de 1.000 m de altitude), e Vacaria, São Francisco de Paula, Monte Alegre dos Campos, Muitos Capões, Esmeralda e Jaquirana (acima de 900 m), locais em que o fenômeno ocorre praticamente em todos os anos (geralmente com fraca intensidade e em poucos dias no inverno), além de outras cidades acima dos 600 metros de elevação, de forma mais esporádica. No resto do estado, a neve é muito rara ou nunca registrada. Porém, fortes geadas podem atingir toda a área estadual.

O furacão Catarina, que se formou em 24 de março de 2004 e se dissipou em 28 de março de 2004, foi o primeiro furacão registrado no Atlântico Sul. O furacão atingiu a categoria 2 na Escala Saffir-Simpson, com ventos de até 160 Km/h e que devastaram o extremo nordeste gaúcho e a costa leste de Santa Catarina, causando cerca de 250 milhões de reais de danos.
Tornados
O Rio Grande do Sul é um dos estados do Brasil mais atingidos por esse tipo de fenômeno. O maior tornado já registrado no estado foi o de Muitos Capões, atingindo o fator F2 na Escala Fujita. Todos os tornados já registrados no estado foram:
13 de Fevereiro de 1999, em Osório, o primeiro já registrado
11 de Outubro de 2000, na Grande Porto Alegre
8 de Julho de 2003, em São Francisco de Paula
11 de Dezembro de 2003, em Antônio Prado
30 de Agosto de 2005, em Muitos Capões, (tornado F2, acompanhado de chuva e granizo).

Geografia do RS

O Rio Grande do Sul ocupa uma área de 282.062 km² (cerca de pouco mais que 3% de todo território nacional, equivalente ao do Equador) e com fuso horário -3 horas em relação a hora mundial GMT. Todo o seu território está abaixo do Trópico de Capricórnio. No Brasil, o estado faz parte da região Sul, fazendo fronteiras com o estado de Santa Catarina e dois países: Uruguai e Argentina. É banhado pelo oceano Atlântico e possui duas das maiores lagoas do Brasil: a Lagoa Mirim e a Lagoa Mangueira, além de possuir uma das maiores lagunas do mundo: a Lagoa dos Patos, que possui água salobra.Sua população constitui cerca de 6% do número de habitantes do país.• RelevoO relevo gaúcho é bastante variado, com um planalto ao norte, depressões no centro e planícies costeiras. Ao norte, ultrapassando os 1000 metros e podendo chegar a menos de 100 metros no Vale do Taquari.O ponto culminante do estado é o Pico do Monte Negro, em São José dos Ausentes, nos Campos de Cima da Serra, com 1410 metros, à beira da Serra Geral.O Rio Grande do Sul tem quatro unidades morfológicas: Planalto Norte-Riograndense (ou Planaltos e Chapadas da Bacia do Paraná ou Planalto meridional), Depressão Central, Escudo Sul-riograndense (Serras de Sudeste) e Planície Costeira.


Planalto Norte-riograndense
(ou planalto meridional)


Formado por rochas basálticas da era mesozóica, essa área fica a nordeste do estado, onde se encontram as partes mais altas do estado, podendo chegar aos 1000 metros. O ponto mais alto é o Pico do Monte Negro, no município de São José dos Ausentes, com 1410 metros. O relevo rio-grandense é caracterizado por coxilhas suaves e vales rasos. Sem transição, as ondulações suaves dão lugar à paredões verticais e rochas basálticas.
Com uma altitude média de 950 metros, nos dias claros pode-se divisar o Oceano Atlântico desde as bordas dos cânions, bem como diversas cidades próximas da costa, como Praia Grande (SC) ou Torres (RS). Formado a partir de intensas atividades vulcânicas havidas há milhões de anos, sucessivos derrames de lava vieram originar o Planalto Sul brasileiro, coberto por campos limpos, matas de araucárias e inúmeras nascentes de rios cristalinos. Ao leste, este imenso platô é subitamente interrompido por abismos verticais que levam à região litorânea, daí originando-se o nome de Aparados da Serra. Em alguns pontos, decorrentes de desmoronamentos, falhas naturais da rocha e processos de erosão, encontram-se grandiosos cânions, tais como o Itaimbezinho.



Cânion de Itaimbezinho.


O Itaimbezinho é um cânion (ou desfiladeiro) situado no Parque Nacional de Aparados da Serra, a cerca de 170 quilômetros ao nor-nordeste de Porto Alegre, próximo à fronteira do estado de Santa Catarina. O cânion tem uma extensão de 5,8 quilômetros, com uma largura máxima de dois quilômetros e uma altura máxima de cerca de 700 metros, sendo percorrido pelo arroio Perdizes. Dentre estes, existem outros como Churriado, o Malacara e o Fortaleza.


Depressão Central
Ao centro do estado fica a Depressão Central, que são terrenos de baixa altitude ligados de leste a oeste, beirados por terras baixas, não passando de 400 metros de altitude, onde se encontram importantes cidades como Porto Alegre, Santa Maria e São Gabriel.


Escudo Sul-Riograndense


Coxilhas das Serras de Sudeste, no município de Morro Redondo.

Logo ao sul localiza-se o Escudo Sul-Riograndense, também conhecido como Serras de Sudeste, que é formado de rochas do período Pré-Cambriano e, por isso, desgastado pela erosão. O ponto mais alto não ultrapassa os 600 metros de altitude. Abrange cidades como Camaquã e Canguçu.

Planície Costeira

Abrange toda a faixa litorânea do Rio Grande do sul e algumas áreas da Grande Porto Alegre, onde os terrenos estão em baixa altitude. Corresponde a uma faixa arenosa com mais de 622 quilômetros de extensão, com grande ocorrência de lagunas e lagos. As lagunas são lagos de águas salgadas, portanto ligadas ao mar. As mais famosas são: Laguna dos Patos, Lagoa Mirim e Lagoa da Mangueira. No município de Torres, se localiza a única ilha oceânica do estado, a Ilha dos Lobos. Abrange o porto mais importante do estado, o de Rio Grande, e cidades como Torres e Capão da Canoa.

História do RS

O Rio Grande do Sul é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Localizado na Região Sul, possui como limites o estado de Santa Catarina ao norte, o oceano Atlântico ao leste, o Uruguai ao sul, e a Argentina a oeste. A , sua capital é o município de Porto Alegre.
É o estado mais meridional do país, conta com o quarto maior PIB - superado apenas por São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais -, o quinto mais populoso e o quinto índice de desenvolvimento humano (IDH) mais elevado.
O estado possui papel marcante na história do Brasil, tendo sido palco da Guerra dos Farrapos, a mais longa guerra civil do país.
Sua população é em grande parte formada por descendentes de índios, portugueses, alemães, italianos, africanos.
Em certas regiões do estado, como a Serra Gaúcha e a região rural da metade sul, ainda é possível ouvir dialetos da língua italiana e do alemão. Existem vestígios arqueológicos que atestam a existência de grupos indígenas na região desde 12 mil anos a.C., entre os principais grupos destacamos os minuanos e os guaranis.
No século XVI, com a descoberta do Novo Mundo, o Rio Grande do Sul passou a fazer parte do reino espanhol pelo Tratado de Tordesilhas. Em 1627, os jesuítas espanhóis criaram missões, próximas ao rio Uruguai, mas foram expulsos pelos portugueses, em 1680, quando a coroa portuguesa resolveu assumir seu domínio, fundando a Colônia do Sacramento. Os jesuítas espanhóis estabeleceram, em 1687, os Sete Povos das Missões. Em 1737, uma expedição militar portuguesa comandada pelo brigadeiro José da Silva Paes foi enviada para garantir aos lusitanos a posse de terras no Sul, objeto de disputa entre Portugal e Espanha. Para efetuar essa posse militarmente, José da Silva Paes construiu nesse mesmo ano um forte na barra da Lagoa dos Patos, que é a origem da atual cidade de Rio Grande, primeiro marco da colonização portuguesa no Rio Grande do Sul.Em 1742, os colonizadores portugueses iniciaram uma vila que viria a ser Porto Alegre.
As lutas pela posse das terras, entre portugueses e espanhóis, tiveram fim em 1801, quando os próprios sul-riograndenses dominaram os Sete Povos, incorporando-os ao seu território. Em 1807, a área foi elevada à categoria de capitania. O município de Viamão antecedeu Porto Alegre como sede do governo. Durante o período colonial a região foi palco de inúmeros conflitos entre hispano-americanos e luso-brasileiros.
No século XIX, com a formação do Império do Brasil, a região seria elevada ao status de Província e teve grande importância nos conflitos entre o recém formado império e as jovens Repúblicas Platinas, iniciando pela Guerra da Cisplatina.
Foi no Rio Grande do Sul onde deflagrou uma das mais significativas revoltas durante o Período Regencial, a Guerra dos Farrapos (1835-45), que perdurou até os primeiros anos do Segundo Reinado, sendo também um dos primeiros marcos na história, cultura e identidade da região. A província foi também importante na luta contra Rosas (1852) e na Guerra do Paraguai (1864-70).
As disputas políticas locais voltaram a aflorar no início da República e só no governo de Getúlio Vargas (1928) o estado foi pacificado.
Grupos de alemães começaram a chegar a partir de 1824 e de italianos após 1875. O objetivo era ocupar o espaço do estado, a fim de fortalecer as fronteiras, formar batalhões estrangeiros e fomentar a economia.
Em meados de 1880, o estado apresentava uma economia de caráter fundamentalmente agropecuário, dividida em duas matrizes socioeconômicas: a atividade ligada à pecuária e ao charque na região da Campanha (sul do estado) e a agricultura e o artesanato colonial na Serra (norte do estado).

domingo, 30 de novembro de 2008

Os negros no Rio grande do Sul

NEGROS DO RIO GRANDE DO SUL

Por Augusto Machado Paim

O menino-escravo perde um cavalo da estância e, como castigo, é torturado por seu patrão até quase morrer, sendo salvo por Nossa Senhora. É o que conta a lenda do Negrinho do Pastoreio, uma das mais conhecidas no Rio Grande do Sul, onde o herói é negro e o vilão é branco. Um reflexo da situação dos negros do extremo sul do Brasil no século XVIII, quando o trabalho escravo era utilizado para a produção de charque. O primeiro recenseamento, feito em 1780 pelo tenente Córdova, apontava a existência de mais de 5 mil negros, o equivalente a 28,4% da população gaúcha na época.

A professora de Comunicação Rhéa Sylvia Gartnër, que estuda a África há mais de 30 anos, especifica a origem desses povos: “Os africanos e descendentes entrados à força no Rio Grande do Sul, de 1737 a 1853, pertenciam a duas culturas: a sudanesa e a banto. Eles se denominavam genericamente de Angolas, Congos, Minas e Moçambique”. Segundo Gartnër, porém, existe registro da presença africana no estado já em 1635, antes do início da colonização portuguesa. Isso se deve ao fato de a região do Prata ter feito parte da rota do tráfico negreiro promovido pelos espanhóis.

Mais tarde, os afro-gaúchos participaram da Revolução Farroupilha (1835-1845) no Corpo dos Lanceiros Negros, escravos que pegaram nas armas com a promessa de alforria ao fim do conflito. Pelos cálculos do exército imperial, os negros compunham de um terço à metade de todo o contingente do exército rebelde.

O afro-gauchismo

Atualmente, segundo o IBGE, apenas 5,3% da população do Rio Grande do Sul se auto-declara de cor preta. Ainda assim, é o maior percentual da região Sul do Brasil.

Esse branqueamento se deve principalmente à imigração alemã e italiana no século XIX, além da chegada de poloneses e judeus ao estado no século XX.

Segundo o tradicionalista Chico Sosa, que estuda a origem dos elementos da cultura sul-riograndense, o gaúcho primitivo, também conhecido como pêlo-duro, é resultado da mistura dos índios com os espanhóis na Região do Prata. O hábito de se tomar chimarrão, aliás, é herdado dos índios, sendo que a palavra “cimarron”, que deu origem ao termo, é espanhola e quer dizer xucro, bárbaro, bruto. Sosa afirma, porém, que as influências africana e indígena na cultura gaúcha se confundem.

Os negros ingressaram no Rio Grande do Sul no século XVII e, com isso, passaram a participar do processo de sincretismo que veio a formar a cultura gaúcha. Segundo Sosa, toda a percussão da música tradicionalista sul-riograndense tem influência do ritmo africano. Como exemplos, a “vanera”, que é uma dança cubana que foi pra Espanha e depois chegou ao estado como “vanerão”, e a “polca”, que é de origem polaca mas pegou influência africana. Outra dança típica, a “milonga”, tem sua nomenclatura originada no verbo “milonguear”, que significava “falar” para os negros que formaram a cultura gaúcha.

No livro O Linguajar do Gaúcho Brasileiro, o historiador Dante de Laytano aponta mais alguns desses africanismos lingüísticos em palavras como “angico” (árvore), “banzo” (tristonho, pensativo), “bocó” (pessoa tola), “bugiganga” (coisa pequena, insignifcante), “caçula” (filho mais moço), “cafundó” (lugar distante), “cambada” (corja de desordeiros), “japona” (casaco de pano grosso) e “marimbondo” (inseto), dentre outros.

Também existem estudos que afirmam uma forte presença da prática de religiões de origem africana no estado. O batuque e a umbanda são praticados até mesmo em cidades colonizadas por alemães e italianos.

A professora Gartnër, que possui a maior biblioteca sobre o continente africano do estado, dá exemplos da contribuição africana na culinária. O doce de côco, a canjica e o quibebe são algumas dessas comidas que tiveram origem no outro lado do Atlântico. Para ela, porém, a maior influência dos negros está na maneira de pensar. A alegria, a bondade, a tolerância, o amor à paz e a bravura são, na sua visão, influências negras no caráter não só do gaúcho, mas de todo brasileiro.

A imigração africana

Mais de 4,5 milhões de negros foram trazidos da África, como escravos, durante o período do Brasil Colônia, e usados como moeda de troca por produtos nacionais como o pau-brasil, cana-de-açúcar, ouro e café. No sul, a ausência de atividades econômicas de exportação significativas reduziu a presença escrava, que teve um desenvolvimento com a cultura local menos acentuado que o registrado em centros como Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. Os negros foram utilizados em trabalhos domésticos nas cidades, como carregadores durante o Ciclo da Erva Mate no Paraná, e como peões nas charqueadas do Rio Grande do Sul e nas armações baleeiras de Santa Catarina. Em troca de alforria, também serviram como linha de frente do Exército Imperial, durante conflitos como a Guerra do Paraguai e a Revolução Farroupilha.

A capoeira é uma das manifestações culturais trazidas pelos negros, que hoje integra várias raças, sendo uma das atrações do Mercado Público de Florianópolis. - Foto: Catarina Rüdiger

Embora dispersa e menos numerosa que no restante do país, a presença negra deixou sua marca na cultura sulina. Se hoje em dia 86% da população da região tem origem européia, em 1767, por exemplo, metade da população de Curitiba era constituída de escravos negros e mulatos. Apesar do predomínio atual das culturas trazidas pelos europeus, a dança do fandango e o tradicional prato do barreado no Paraná, os rituais folclóricos do boi-de-mamão em Santa Catarina e os 60 mil terreiros de religiões afro-brasileiras no Rio Grande do Sul – recorde nacional – são fortes exemplos da importância da influência negra na cultura do Sul do Brasil.

Texto de Rogério Monteiro

Os imigrantes no Rio Grande do Sul

Como aconteceu com a grande maioria dos municípios brasileiros, Rio Grande teve sua cultura formada com a colaboração de diversas etnias. Apesar do predomínio da imigração açoriana na formação da identidade do município, cada povo que aqui se instalou no passado deixou sua marca. A contribuição das diversas imigrações para a cultura rio-grandina pode ser percebida nas construções, na urbanização, nos eventos, culinária e até no jeito de ser de cada cidadão.

Os alemães

A fábrica Rheingantz é o principal representante da contribuição alemã na formação da cultura rio-grandina. Construída em 1874, ela marca o único sítio urbano histórico do estado que permanece em seu conjunto, destacando o período de industrialização do País.
Durante a Segunda Grande Guerra os alemães e descendentes que viviam em Rio Grande sofreram represálias e muitos foram para municípios do interior do Estado. Até a Sociedade Germânia teve seu patrimônio entregue à Guarda da Legião Brasileira de Assistência (LBV). Depois da guerra o prédio foi devolvido para os sócios. Hoje pertence à Fundação Sócio Esportiva do Rio Grande (Funserg).
Muitos alemães e descendentes que vivem no município ainda conservam as tradições de sua terra natal. Um costume simples ainda existente é deixar a visita abrir a porta na hora de ir embora para saber que pode voltar. Na gastronomia, bolinho de batata crua com guisado (königsberger klops), torta de maçã (apfeltonte) e torta de limão (zitronentorte) ainda fazem parte do dia-a-dia de muitas famílias.


Os libaneses

Diferente de outros imigrantes, os libaneses tiveram muita dificuldade de manter suas tradições, já que não vieram para a região para trabalhar no campo. Assim, precisaram assimilar a língua e os costumes locais.
O predomínio, entre os imigrantes, oram as atividades ligadas ao comércio. Nesse setor, eles introduziram a habilidade que fez de Rio Grande pólo comercial e de prestação de serviços da região. Na culinária, eles introduziram o hábito de consumir grãos como a lentilha, grão-de-bico e gergelim.


Os espanhóis

No século XVII, o Rio Grande do Sul era uma região disputada entre portugueses e espanhóis. A ocupação iniciou-se de fato com os milicianos, que eram tropeiros de São Paulo e Minas Gerais, sendo reforçada com a vinda de casais açorianos na década de 1750. Essa imigração açoriana foi promovida pela Coroa Portuguesa, para estabelecer o domínio português na região.
Os espanhóis introduziram a criação de gado, que rapidamente tornou-se a economia predominante no Rio Grande do Sul. A população se concentrava nos pampas, tendo havido uma fusão de costumes espanhóis, portugueses e indígenas, que deram origem ao tipo regional gaúcho. Embora o gaúcho fosse mais português que espanhol, a influência cultural vinda dos países vizinhos predomina na cultura gaúcha até hoje.
Talvez seja na gastronomia onde se identifique uma maior influência da cultura espanhola no modo de ser do rio-grandino. Principalmente pelos pratos à base de frutos do mar.


Os africanos

Os cultos religiosos, a culinária e palavras do vocabulário brasileiro são apenas algumas das contribuições dos africanos para a cultura do país e região. Existe uma grande dificuldade em se estabelecer a região da África de onde vinham os escravos no passado. Sabe-se apenas que vieram do porto do Rio de Janeiro. Estima-se que a maioria veio de Angola, Congo e Moçambique.
Embora a mão-de-obra escrava utilizada nas fazendas do Estado vinha de lugares diferentes, o que dificultava a preservação de suas culturas. Mesmo assim os afro descendentes também trouxeram para cá as crenças, a gastronomia e principalmente a inclinação para as artes.


Os italianos

Quando se pensa na Itália as primeiras imagens que vêm à cabeça são as especialidades da culinária. Entretanto, os imigrantes italianos são os que mais conservam suas tradições. No Centro Cultural Ítalo Brasileiro, pode-se conhecer os trajes típicos e objetos trazidos pelos imigrantes. Mas as contribuições para a cultura brasileira vão mais além.
Os imigrantes italianos introduziram na região técnicas e tecnologias para cultivar a terra. Na indústria, a mão-de-obra especializada. Além disso, eles inseriram os conceitos de participação comunitária e organizações sindicais.


Os portugueses

A imigração portuguesa foi outra que influiu bastante na formação da cultura em todo o território nacional. As tradições religiosas, como comemorar os dias dos santos, e a pontualidade nos horários das refeições são características dessa cultura.
A ligação de Rio Grande com Portugal é tão forte que existe a geminação entre o município e a cidade de Águeda, que tem em seu protocolo o intercâmbio cultural. Águeda é a cidade que mais enviou imigrantes para o município.
Rio Grande sempre foi um amplo centro de colonização portuguesa, quer no tempo do império ou no tempo da república.


Os poloneses

Rio Grande é a segunda maior colônia polonesa do Estado. Hoje, os descendentes formam uma das maiores comunidades do município, mantendo as tradições e freqüentemente relembrando a saga dos antepassados, que viram no Brasil uma terra de melhores oportunidades. Uma das marcas da cultura polonesa no município é a Sociedade Cultural Águia Branca.


Os japoneses

Os japoneses que vieram para Rio Grande e região acabaram se especializando em atividades como comércio e prestação de serviço. A alimentação do gaúcho sempre se baseou na carne. Com a chegada dos imigrantes, os costumes se modificaram. Foram os japoneses, que introduziram o hábito do consumo cotidiano de hortigranjeiros.


Os açorianos

Os açorianos foram os imigrantes que mais contribuíram para a formação da cultura de Rio Grande e Região. Pode-se constatar essa afirmação na urbanização e prédios do centro, além de costumes como os Ternos de Reis. Na gastronomia, o arroz de leite, doce de ovos e pratos a base de peixe. O Ecomuseu da Picada, localizado no Arraial, reúne um acervo bibliográfico e exposições sobre a imigração açoriana.