Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul.
Entidades culturais

O MARGS visto da Praça da Alfândega, em Porto Alegre.

O Blog da Prô Elaine tem por objetivo informar,divertir, apresentar os conteúdos trabalhados em sala de aula, bem como os trabalhos realizados pelos alunos.
Biblioteca Pública do Estado do Rio Grande do Sul.


Na Campanha Gaúcha pratica-se a criação de ovinos.
Com uma expansão vertiginosa de sua cultura na década de 1970, a soja se tornou o principal produto agrícola do Rio Grande do Sul. A área de produção se encontra difundida por todo o quadrante noroeste do estado e compreende algumas porções da depressão central e sobretudo do planalto basáltico. O trigo, cultivado em condições ecológicas muito diferentes, é plantado quer em zonas de campo, quer em áreas florestais. Nas primeiras, assume o caráter de monocultura extensiva e mecanizada. Nas zonas de floresta surge como pequena lavoura integrada no sistema de rotação de cultura praticado por pequenos lavradores. A principal região produtora é o planalto basáltico, sobretudo sua porção ocidental.
O arroz é a cultura típica das áreas de menor altitude do estado. É quase sempre uma cultura irrigada e na planície litorânea, em decorrência da pobreza dos solos arenosos, recebe considerável aplicação de adubos químicos. O milho é cultura bastante difundida nas áreas de solos florestais e está comumente associado à criação de suínos, para o qual contribui como ração. A mandioca tem distribuição geográfica semelhante à do milho. Além de utilizada na alimentação da população rural, é empregada como forragem por criadores de suínos e bovinos.
O cultivo do fumo concentra-se na região da encosta inferior da serra Geral, nas zonas dos rios Taquari e Pardo. Outra cultura importante do estado é a da uva, que se concentra na região da alta encosta da serra Geral, nas zonas dos rios Taquari e Caí.
O Rio Grande do Sul destaca-se por sua produção agropecuária. O gado bovino criado na região do planalto destina-se sobretudo à produção de leite, enquanto que o criado no sul do estado, nos grandes estabelecimentos localizados na região da Campanha, ou estâncias, destina-se ao corte. A criação de ovinos concentra-se sobretudo na porção mais meridional da Campanha enquanto a de suínos, que absorve parte significativa da produção de milho e a mandioca é típica das regiões florestais.
Merecem destaque as pastagens naturais da campanha gaúcha, em sua maioria utilizadas em pastoreio continuado e geralmente em potreiros de grande extensão, de modo a permitir a expansão das atividades pecuárias, de grande repercussão na economia regional.

A erva-mate é um dos principais produtos extrativistas do Rio Grande do Sul.
As reservas de pinheiros do norte do estado, embora já limitadas em face da exploração intensa, constituem uma das principais riquezas vegetais.
Os ervais, em apreciável extensão, também proporcionam extração vegetal para atender ao grande consumo regional. Vegetais taníferos, como, por exemplo, a acácia-negra, embora com produção reduzida, incluem-se entre os principais recursos da região.
Entre os produtos minerais do estado destacam-se o cobre e o carvão. O Rio Grande do Sul foi pioneiro no refino de petróleo, com a instalação, em 1932, da Destilaria Sul-Riograndense, em Uruguaiana. Duas refinarias de petróleo e um polo petroquímico, que utiliza matéria-prima da refinaria Alberto Pasqualini, da Petrobrás (Canoas), dão ao estado posição de destaque na petroquímica nacional. Entre as ocorrências minerais conhecidas encontram-se jazidas de carvão mineral, minérios de cobre, chumbo, tungstênio e cristal de rocha.
Porto Alegre, capital e um dos maiores pólos industriais do estado do Rio Grande do Sul.
O Rio Grande do Sul é um dos estados com maior grau de industrialização no país. O principal gênero de indústria é o de produtos alimentícios, responsável por substancial parcela do valor da produção fabril. Seguem-se a metalurgia e as indústrias mecânica, química, farmacêutica, de vestuário e calçado e de madeira e mobiliário. A área industrial da região de Porto Alegre é a mais desenvolvida do estado. Os principais produtos são carnes frigorificadas, charques, massas alimentícias e óleo de soja. A indústria de calçados e artefatos de couro destaca-se particularmente em São Leopoldo e Novo Hamburgo. A indústria mecânica e metalúrgica alcança também considerável expressão, sobretudo em Porto Alegre, Novo Hamburgo e São Leopoldo. A esses centros junta-se São Jerônimo, que abriga a usina siderúrgica de Charqueadas.
Outra área industrial é a chamada região de colonização antiga, na qual se integram os municípios de Caxias do Sul, Garibaldi, Bento Gonçalves, Flores da Cunha, Farroupilha e Santa Cruz. A atividade fabril é marcada pela produção de vinho e beneficiamento de produtos agropastoris, tais como couro, banha, milho, trigo e fumo. No restante do estado encontram-se diversos centros industriais dispersos, todos ligados ao processamento de matérias-primas agropastoris. Destacam-se nesse grupo Erexim, Passo Fundo, Santa Maria, Santana do Livramento, Rosário do Sul, Pelotas, Rio Grande e Bagé.
O Rio Grande do Sul é um estado com vastas opções de turismo. O estado recebe anualmente cerca de 2,0 milhões de turistas de fora do país. As praias do litoral norte nas cidade de Capão da Canoa, Tramandaí e Torres são as mais conhecidas no estado, esta última apresentando falésias. São três pedras que ficam na beira do mar, sendo que uma delas avança mar a dentro em uma altura de 30 metros.
As serras atraem milhares de turistas todos os anos, no inverno e verão. As cidades de Gramado e Canela são conhecidas na época de Natal pela decoração das cidades, juntamente com os parques natalinos. No inverno, os turistas visitam essas cidades juntamente com São José dos Ausentes e Cambará do Sul, devido às temperaturas baixas, muitas vezes negativas e com a possibilidade de queda de neve, para a felicidade dos turistas.
Nas mesmas se encontram os cânions de Itaimbezinho e da Fortaleza, os quais são dos maiores do Brasil. Em Gramado acontece o Festival de Cinema. Na conhecida como "Pequena Itália", em que se localizam as cidades de Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Garibaldi, pode-se encontrar as melhores vinícolas do Brasil. Ainda a oeste, se encontram as Missões Jesuíticas, nas cidade de São Miguel das Missões e arredores.
Embora com menor destaque turístico, a região de Pelotas, reconhecida por ser o município brasileiro do doce e por possuir grandes monumentos e prédios tradicionais e seculares, vem alcançando destaque com a festa anual denominada Fenadoce.
As Serras Gaúchas são as maiores produtoras de vinhos do Brasil.
Na serras do estado (Bento Gonçalves e Garibaldi), se localizam a maior concentração de produtores de vinho do país. Mais ao sul, na região da Campanha, está situada a segunda mais importante área produtora. As vinícolas gaúchas são premiadas internacionalmente, em razão da alta qualidade de seus vinhos e espumantes.
O estado é privilegiado pela sua condição geo-climática, estando situado no início da faixa entre os paralelos 30° e 50°, considerada ideal para a produção de uva vinífera. Isso lhe permite a produção de cepas nobres de uvas européias, como Merlot, Chardonnay e Cabernet Sauvignon, entre outras. A uva e o vinho gaúchos são produzidos sob as melhores técnicas disponíveis e condições tecnológicas avançadas, a exemplo das melhores regiões vinícolas da Europa.
O Rio Grande do Sul enfrenta diversos problemas ambientais em seu território, resultantes da má apropriação de recursos naturais.
Muitos desses problemas são facilmente identificáveis por abrangerem grandes extensões territoriais e por afetarem diretamente a qualidade de vida da população. Na região da Campanha, próxima à cidade de Alegrete, existe um grande pedaço de terra em "processo de desertificação", em conseqüência da criação extensiva de gado bovino.
Atualmente, a grande preocupação é a substituição dos campos (pampa) pelo plantio de eucaliptos e pinus, que deterioram a fertilidade do solo, modificando o ecossistema típico desta região.
A monocultura de eucaliptos e pinus em grande área, antes pasto para o gado ou mata atlântica, vem sendo praticada pela instalação de empresas multinacionais, sem controle de políticas ambientais que protejam o meio ambiente.
Aglomeração Urbana:Região Metropolitana de Porto Alegre
A Região Metropolitana de Porto Alegre é a maior do Sul do Brasil e a quarta maior do Brasil. A Região Metropolitana de Porto Alegre, também conhecida como a Grande Porto Alegre, reúne 31 municípios do estado do Rio Grande do Sul.
Sua população é de 4.101.042 habitantes, com uma densidade demográfica de aproximadamente 414,78 hab/km². Conta com os municípios de:

Novo Hamburgo
Canoas

Parque da Redenção - Porto Alegre

Biblioteca pública de Porto Alegre


Santuário da Nossa Senhora de Caravaggio, em Farroupilha.

Aglomeração Urbana: litoral norte
Abrange as cidades turísticas de Torres, Tramandaí e Capão da Canoa, com uma população em torno de 124.000 habitantes.
O Rio Grande do Sul abriga uma única ilha oceânica, a Ilha dos Lobos, localizada no município de Torres. É a única ilha brasileira a abrigar leões-marinhos em certas épocas do ano, e uma das duas mais importantes áreas de concentração deste animal no litoral brasileiro.
Ilha dos Afogados
Ilha Barba Negra
Ilha da Barra
Ilha da Feitoria
Ilha do Furado
Ilha Grande 1
Ilha Grande 2
Ilha Junco
Ilha dos Lobos
Ilha Grande dos Marinheiros
Ilha dos Marinheiros
Ilha do Leonídeo
Ilha da Torotama
Ilha da Pintada
Ilha do Meio
Ilha Pedras Brancas ou Ilha da Pólvora
Ilha da Ponta
Ilha da Sarangonha
Ilha do Taquari.
1. Mesorregião do Centro Ocidental Rio-Grandense
2. Mesorregião do Centro Oriental Rio-Grandense
3. Mesorregião Metropolitana de Porto Alegre
4. Mesorregião do Nordeste Rio-Grandense
5. Mesorregião do Noroeste Rio-Grandense
6. Mesorregião do Sudeste Rio-Grandense
7. Mesorregião do Sudoeste Rio-Grandense.

1. Cachoeira do Sul
2. Camaquã
3. Campanha Central
4. Campanha Meridional
5. Campanha Ocidental
6. Carazinho
7. Caxias do Sul
8. Cerro Largo
9. Cruz Alta
10. Erechim
11. Frederico Westphalen
12. Gramado-Canela
13. Guaporé
14. Ijuí
15. Jaguarão
16. Lajeado-Estrela
17. Litoral Lagunar
18. Montenegro
19. Não-Me-Toque
20. Osório
21. Passo Fundo
22. Pelotas
23. Porto Alegre
24. Restinga Seca
25. Sananduva
26. Santa Cruz do Sul
27. Santa Maria
28. Santa Rosa
29. Santiago
30. Santo Ângelo
31. São Jerônimo
32. Serras de Sudeste
33. Soledade
34. Três PassosVacaria
O Rio Grande do Sul apresenta quatro tipos de vegetação espalhadas pelo seu território:
Mata de Araucárias (ou Pinhais)
A floresta subtropical é uma floresta mista, composta por formações de latifoliadas e de coníferas. Estas últimas são representadas pelo pinheiro-do-paraná.
A floresta mista ou Mata de Araucárias recobria as porções mais elevadas do estado, isto é, a maior parte do planalto nordeste e partes do centro. Essa formação ocupa grande parte do planalto gaúcho e ainda parte dos estados de São Paulo, Santa Catarina e Paraná. Atualmente, é a única das florestas que sofre maior exploração econômica em todo o Brasil, por ser a única que apresenta grande número de indivíduos da mesma espécie (pinheiros) em agrupamentos suficientemente densos (embora não puros) para permitir ainda mais o extrativismo vegetal.
Campanha (ou Pampas)
Predomina no sul e oeste gaúcho. Existência das pradarias propícias à criação de gado. Em uma área na altura do município de Alegrete existem areais, comumente confundidos com desertos. A área "desertificada" não tem características diretamente ligadas a um deserto, como as geadas por exemplo, que cobrem de branco essa mancha na Campanha Gaúcha todos invernos. A ocorrência dos areais é natural, porém tem se agravado devido à ação antrópica.
Vegetação litorânea.
Vegetação úmida ao longo do litoral gaúcho, com grandes extensões de areia.
Mata Atlântica.
Abrange as demais regiões gaúchas e é uma formação vegetal brasileira. Acompanhava o litoral do país, do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte (regiões meridional e nordeste). Nas regiões Sul e Sudeste chegava até Argentina e Paraguai.
A hidrografia do Rio Grande do Sul pode ser classificada em três regiões:
Região hidrográfica da Bacia do Rio Uruguai, cujas águas drenam para o rio Uruguai;
Região hidrográfica da Bacia do Guaíba, cujas águas drenam para o lago Guaíba;
Região hidrográfica das Bacia do Litoral, cujas águas drenam ou para a lagoa dos Patos e Mirim, ou direto para o oceano Atlântico.
O uso do solo na primeira região está diretamente vinculado às atividades agropecuárias
e também agroindustriais.
Os principais rios do estado são:
Uruguai
Ijuí
Jacuí
Guaíba
Caí
Taquari
Ibicuí
Pelotas
Camaquã
Sinos
Vacacaí

O furacão Catarina, que se formou em 24 de março de 2004 e se dissipou em 28 de março de 2004, foi o primeiro furacão registrado no Atlântico Sul. O furacão atingiu a categoria 2 na Escala Saffir-Simpson, com ventos de até 160 Km/h e que devastaram o extremo nordeste gaúcho e a costa leste de Santa Catarina, causando cerca de 250 milhões de reais de danos.
Tornados
O Rio Grande do Sul é um dos estados do Brasil mais atingidos por esse tipo de fenômeno. O maior tornado já registrado no estado foi o de Muitos Capões, atingindo o fator F2 na Escala Fujita. Todos os tornados já registrados no estado foram:
13 de Fevereiro de 1999, em Osório, o primeiro já registrado
11 de Outubro de 2000, na Grande Porto Alegre
8 de Julho de 2003, em São Francisco de Paula
11 de Dezembro de 2003, em Antônio Prado
30 de Agosto de 2005, em Muitos Capões, (tornado F2, acompanhado de chuva e granizo).
Escudo Sul-Riograndense

Coxilhas das Serras de Sudeste, no município de Morro Redondo.
Logo ao sul localiza-se o Escudo Sul-Riograndense, também conhecido como Serras de Sudeste, que é formado de rochas do período Pré-Cambriano e, por isso, desgastado pela erosão. O ponto mais alto não ultrapassa os 600 metros de altitude. Abrange cidades como Camaquã e Canguçu.
Planície Costeira
Abrange toda a faixa litorânea do Rio Grande do sul e algumas áreas da Grande Porto Alegre, onde os terrenos estão em baixa altitude. Corresponde a uma faixa arenosa com mais de 622 quilômetros de extensão, com grande ocorrência de lagunas e lagos. As lagunas são lagos de águas salgadas, portanto ligadas ao mar. As mais famosas são: Laguna dos Patos, Lagoa Mirim e Lagoa da Mangueira. No município de Torres, se localiza a única ilha oceânica do estado, a Ilha dos Lobos. Abrange o porto mais importante do estado, o de Rio Grande, e cidades como Torres e Capão da Canoa.
Por Augusto Machado Paim
O menino-escravo perde um cavalo da estância e, como castigo, é torturado por seu patrão até quase morrer, sendo salvo por Nossa Senhora. É o que conta a lenda do Negrinho do Pastoreio, uma das mais conhecidas no Rio Grande do Sul, onde o herói é negro e o vilão é branco. Um reflexo da situação dos negros do extremo sul do Brasil no século XVIII, quando o trabalho escravo era utilizado para a produção de charque. O primeiro recenseamento, feito em 1780 pelo tenente Córdova, apontava a existência de mais de 5 mil negros, o equivalente a 28,4% da população gaúcha na época.
A professora de Comunicação Rhéa Sylvia Gartnër, que estuda a África há mais de 30 anos, especifica a origem desses povos: “Os africanos e descendentes entrados à força no Rio Grande do Sul, de 1737 a 1853, pertenciam a duas culturas: a sudanesa e a banto. Eles se denominavam genericamente de Angolas, Congos, Minas e Moçambique”. Segundo Gartnër, porém, existe registro da presença africana no estado já em 1635, antes do início da colonização portuguesa. Isso se deve ao fato de a região do Prata ter feito parte da rota do tráfico negreiro promovido pelos espanhóis.
Mais tarde, os afro-gaúchos participaram da Revolução Farroupilha (1835-1845) no Corpo dos Lanceiros Negros, escravos que pegaram nas armas com a promessa de alforria ao fim do conflito. Pelos cálculos do exército imperial, os negros compunham de um terço à metade de todo o contingente do exército rebelde.
O afro-gauchismo
Atualmente, segundo o IBGE, apenas 5,3% da população do Rio Grande do Sul se auto-declara de cor preta. Ainda assim, é o maior percentual da região Sul do Brasil.
Esse branqueamento se deve principalmente à imigração alemã e italiana no século XIX, além da chegada de poloneses e judeus ao estado no século XX.
Segundo o tradicionalista Chico Sosa, que estuda a origem dos elementos da cultura sul-riograndense, o gaúcho primitivo, também conhecido como pêlo-duro, é resultado da mistura dos índios com os espanhóis na Região do Prata. O hábito de se tomar chimarrão, aliás, é herdado dos índios, sendo que a palavra “cimarron”, que deu origem ao termo, é espanhola e quer dizer xucro, bárbaro, bruto. Sosa afirma, porém, que as influências africana e indígena na cultura gaúcha se confundem.
Os negros ingressaram no Rio Grande do Sul no século XVII e, com isso, passaram a participar do processo de sincretismo que veio a formar a cultura gaúcha. Segundo Sosa, toda a percussão da música tradicionalista sul-riograndense tem influência do ritmo africano. Como exemplos, a “vanera”, que é uma dança cubana que foi pra Espanha e depois chegou ao estado como “vanerão”, e a “polca”, que é de origem polaca mas pegou influência africana. Outra dança típica, a “milonga”, tem sua nomenclatura originada no verbo “milonguear”, que significava “falar” para os negros que formaram a cultura gaúcha.
No livro O Linguajar do Gaúcho Brasileiro, o historiador Dante de Laytano aponta mais alguns desses africanismos lingüísticos em palavras como “angico” (árvore), “banzo” (tristonho, pensativo), “bocó” (pessoa tola), “bugiganga” (coisa pequena, insignifcante), “caçula” (filho mais moço), “cafundó” (lugar distante), “cambada” (corja de desordeiros), “japona” (casaco de pano grosso) e “marimbondo” (inseto), dentre outros.
Também existem estudos que afirmam uma forte presença da prática de religiões de origem africana no estado. O batuque e a umbanda são praticados até mesmo em cidades colonizadas por alemães e italianos.
A professora Gartnër, que possui a maior biblioteca sobre o continente africano do estado, dá exemplos da contribuição africana na culinária. O doce de côco, a canjica e o quibebe são algumas dessas comidas que tiveram origem no outro lado do Atlântico. Para ela, porém, a maior influência dos negros está na maneira de pensar. A alegria, a bondade, a tolerância, o amor à paz e a bravura são, na sua visão, influências negras no caráter não só do gaúcho, mas de todo brasileiro.
Mais de 4,5 milhões de negros foram trazidos da África, como escravos, durante o período do Brasil Colônia, e usados como moeda de troca por produtos nacionais como o pau-brasil, cana-de-açúcar, ouro e café. No sul, a ausência de atividades econômicas de exportação significativas reduziu a presença escrava, que teve um desenvolvimento com a cultura local menos acentuado que o registrado em centros como Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. Os negros foram utilizados em trabalhos domésticos nas cidades, como carregadores durante o Ciclo da Erva Mate no Paraná, e como peões nas charqueadas do Rio Grande do Sul e nas armações baleeiras de Santa Catarina. Em troca de alforria, também serviram como linha de frente do Exército Imperial, durante conflitos como a Guerra do Paraguai e a Revolução Farroupilha.
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Embora dispersa e menos numerosa que no restante do país, a presença negra deixou sua marca na cultura sulina. Se hoje em dia 86% da população da região tem origem européia, em 1767, por exemplo, metade da população de Curitiba era constituída de escravos negros e mulatos. Apesar do predomínio atual das culturas trazidas pelos europeus, a dança do fandango e o tradicional prato do barreado no Paraná, os rituais folclóricos do boi-de-mamão em Santa Catarina e os 60 mil terreiros de religiões afro-brasileiras no Rio Grande do Sul – recorde nacional – são fortes exemplos da importância da influência negra na cultura do Sul do Brasil.
Como aconteceu com a grande maioria dos municípios brasileiros, Rio Grande teve sua cultura formada com a colaboração de diversas etnias. Apesar do predomínio da imigração açoriana na formação da identidade do município, cada povo que aqui se instalou no passado deixou sua marca. A contribuição das diversas imigrações para a cultura rio-grandina pode ser percebida nas construções, na urbanização, nos eventos, culinária e até no jeito de ser de cada cidadão.
Os alemães
A fábrica Rheingantz é o principal representante da contribuição alemã na formação da cultura rio-grandina. Construída em 1874, ela marca o único sítio urbano histórico do estado que permanece em seu conjunto, destacando o período de industrialização do País.
Durante a Segunda Grande Guerra os alemães e descendentes que viviam em Rio Grande sofreram represálias e muitos foram para municípios do interior do Estado. Até a Sociedade Germânia teve seu patrimônio entregue à Guarda da Legião Brasileira de Assistência (LBV). Depois da guerra o prédio foi devolvido para os sócios. Hoje pertence à Fundação Sócio Esportiva do Rio Grande (Funserg).
Muitos alemães e descendentes que vivem no município ainda conservam as tradições de sua terra natal. Um costume simples ainda existente é deixar a visita abrir a porta na hora de ir embora para saber que pode voltar. Na gastronomia, bolinho de batata crua com guisado (königsberger klops), torta de maçã (apfeltonte) e torta de limão (zitronentorte) ainda fazem parte do dia-a-dia de muitas famílias.
Os libaneses
Diferente de outros imigrantes, os libaneses tiveram muita dificuldade de manter suas tradições, já que não vieram para a região para trabalhar no campo. Assim, precisaram assimilar a língua e os costumes locais.
O predomínio, entre os imigrantes, oram as atividades ligadas ao comércio. Nesse setor, eles introduziram a habilidade que fez de Rio Grande pólo comercial e de prestação de serviços da região. Na culinária, eles introduziram o hábito de consumir grãos como a lentilha, grão-de-bico e gergelim.
Os espanhóis
No século XVII, o Rio Grande do Sul era uma região disputada entre portugueses e espanhóis. A ocupação iniciou-se de fato com os milicianos, que eram tropeiros de São Paulo e Minas Gerais, sendo reforçada com a vinda de casais açorianos na década de 1750. Essa imigração açoriana foi promovida pela Coroa Portuguesa, para estabelecer o domínio português na região.
Os espanhóis introduziram a criação de gado, que rapidamente tornou-se a economia predominante no Rio Grande do Sul. A população se concentrava nos pampas, tendo havido uma fusão de costumes espanhóis, portugueses e indígenas, que deram origem ao tipo regional gaúcho. Embora o gaúcho fosse mais português que espanhol, a influência cultural vinda dos países vizinhos predomina na cultura gaúcha até hoje.
Talvez seja na gastronomia onde se identifique uma maior influência da cultura espanhola no modo de ser do rio-grandino. Principalmente pelos pratos à base de frutos do mar.
Os africanos
Os cultos religiosos, a culinária e palavras do vocabulário brasileiro são apenas algumas das contribuições dos africanos para a cultura do país e região. Existe uma grande dificuldade em se estabelecer a região da África de onde vinham os escravos no passado. Sabe-se apenas que vieram do porto do Rio de Janeiro. Estima-se que a maioria veio de Angola, Congo e Moçambique.
Embora a mão-de-obra escrava utilizada nas fazendas do Estado vinha de lugares diferentes, o que dificultava a preservação de suas culturas. Mesmo assim os afro descendentes também trouxeram para cá as crenças, a gastronomia e principalmente a inclinação para as artes.
Os italianos
Quando se pensa na Itália as primeiras imagens que vêm à cabeça são as especialidades da culinária. Entretanto, os imigrantes italianos são os que mais conservam suas tradições. No Centro Cultural Ítalo Brasileiro, pode-se conhecer os trajes típicos e objetos trazidos pelos imigrantes. Mas as contribuições para a cultura brasileira vão mais além.
Os imigrantes italianos introduziram na região técnicas e tecnologias para cultivar a terra. Na indústria, a mão-de-obra especializada. Além disso, eles inseriram os conceitos de participação comunitária e organizações sindicais.
Os portugueses
A imigração portuguesa foi outra que influiu bastante na formação da cultura em todo o território nacional. As tradições religiosas, como comemorar os dias dos santos, e a pontualidade nos horários das refeições são características dessa cultura.
A ligação de Rio Grande com Portugal é tão forte que existe a geminação entre o município e a cidade de Águeda, que tem em seu protocolo o intercâmbio cultural. Águeda é a cidade que mais enviou imigrantes para o município.
Rio Grande sempre foi um amplo centro de colonização portuguesa, quer no tempo do império ou no tempo da república.
Os poloneses
Rio Grande é a segunda maior colônia polonesa do Estado. Hoje, os descendentes formam uma das maiores comunidades do município, mantendo as tradições e freqüentemente relembrando a saga dos antepassados, que viram no Brasil uma terra de melhores oportunidades. Uma das marcas da cultura polonesa no município é a Sociedade Cultural Águia Branca.
Os japoneses
Os japoneses que vieram para Rio Grande e região acabaram se especializando em atividades como comércio e prestação de serviço. A alimentação do gaúcho sempre se baseou na carne. Com a chegada dos imigrantes, os costumes se modificaram. Foram os japoneses, que introduziram o hábito do consumo cotidiano de hortigranjeiros.
Os açorianos
Os açorianos foram os imigrantes que mais contribuíram para a formação da cultura de Rio Grande e Região. Pode-se constatar essa afirmação na urbanização e prédios do centro, além de costumes como os Ternos de Reis. Na gastronomia, o arroz de leite, doce de ovos e pratos a base de peixe. O Ecomuseu da Picada, localizado no Arraial, reúne um acervo bibliográfico e exposições sobre a imigração açoriana.